C-dur
Três cantos para espaços vazios
Me recolho.
Minhas trancas,
as árvores na janela,
meu espaço de morte.
Tudo caminha em uma só direção: aquela.
Digo aquela (tenho medo de dizer seu nome).
Aquela: este é o seu nome a partir de agora,
Minhas trancas.
Sul ou Norte
não interessam.
Minha casa está plantada longe do mar.
Um espaço de quatro cantos, teto e portas: muitas, infinitas.
Caminhamos os dois, separados, cada qual com sua ausência de pés.
Temos carros, temos sol, temos o Sul e o Norte que não interessam.
Temos,
ter é um sentimento?
Tememos, seria melhor dizer.
Na janela existem árvores e homens de terno
E todos os quartos são iguais.
Temo, pois não temos nem mesmo a morte.
Espaços.
Rogo teu nome
em cada canto
janela
pedaço de parede.
Rogo,
por tudo o que é igual,
tudo o que se repete.
em cada canto
janela
nos meus pedaços
nas árvores
portas.
Olho pela janela e espero,
o Milagre.
Aquela.