C-dur



Três cantos para espaços vazios



Me recolho.


Minhas trancas,

as árvores na janela,

meu espaço de morte.

Tudo caminha em uma só direção: aquela.


Digo aquela (tenho medo de dizer seu nome).


Aquela: este é o seu nome a partir de agora,

Minhas trancas.








Sul ou Norte

não interessam.

Minha casa está plantada longe do mar.

Um espaço de quatro cantos, teto e portas: muitas, infinitas.


Caminhamos os dois, separados, cada qual com sua ausência de pés.

Temos carros, temos sol, temos o Sul e o Norte que não interessam.


Temos,

ter é um sentimento?

Tememos, seria melhor dizer.


Na janela existem árvores e homens de terno

E todos os quartos são iguais.


Temo, pois não temos nem mesmo a morte.

Espaços.







Rogo teu nome


em cada canto

janela

pedaço de parede.


Rogo,

por tudo o que é igual,

tudo o que se repete.


em cada canto

janela

nos meus pedaços

nas árvores

portas.


Olho pela janela e espero,

o Milagre.


Aquela.





Paulo Guicheney

Paulo Guicheney é compositor. Quando criança teve de optar entre ABBA e Trio Parada Dura. Optou por ABBA, mas depois descobriu que a coisa pegava mesmo era com Beethoven. Estudou piano e composição na UFG, onde também fez mestrado em música eletroacústica. Atualmente leciona composição na UNB.
E-mail: pauloguicheney@hotmail.com