C-dur



Ravel na gafieira


Maurice Ravel, o grande compositor francês, visitou Goiânia. Este é um fato pouco conhecido, mas que segundo algumas testemunhas, foi fundamental em sua carreira. Meu pai, na época ainda criança, se lembra do frisson que acometeu as socialites e os políticos da jovem. O pianista Godofredo Tavares participou de master-classes com o mestre e nos fala da profunda impressão que este causou na eminente sociedade musical goianiense: “Ele tocou trechos de Miroir e de Gaspard de la Nuit. As pessoas ficaram embasbacadas”. Entretanto, não foram apenas os goianos que ficaram impressionados com esta visita. De acordo com Adalberto Faria, dono, naqueles tempos, de uma gafieira na Rua 2 do Centro, foi em Goiânia que Ravel esboçou os primeiros compassos de sua magnífica obra Bolero de Ravel. O compositor francês freqüentou o estabelecimento de Faria e ao assistir a um show do Trio Irakitan, se comoveu de tal maneira com o que viu e ouviu que teve a idéia para sua grande peça. O violonista Deoclécio Carlos também se recorda do fato e afirma, ainda, que Ravel teria até mesmo arriscado uns passinhos na gafieira da Rua 2: “Ele dançava mal pra burro”.

Tempos áureos da cultura goiana…




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Paulo Guicheney

Paulo Guicheney é compositor. Quando criança teve de optar entre ABBA e Trio Parada Dura. Optou por ABBA, mas depois descobriu que a coisa pegava mesmo era com Beethoven. Estudou piano e composição na UFG, onde também fez mestrado em música eletroacústica. Atualmente leciona composição na UNB.
E-mail: pauloguicheney@hotmail.com